A água é um recurso finito e não tão abundante quanto pode parecer; por isso deve ser economizada. Essa é uma noção que só começou a ser difundida nos últimos anos, à medida que os racionamentos se tornaram mais urgentes e necessários, até mesmo no Brasil, que é um dos países com maior quantidade de reservas hídricas cerca de 15% do total da água doce do planeta. Não é por acaso que cada vez mais pessoas e organizações estão se unindo em defesa de seu uso racional. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no século 20 o uso da água cresceu duas vezes mais que a população. A situação é tão preocupante que existe quem preveja uma guerra mundial originada por disputas em torno do precioso líquido.
Em âmbito mundial, a ONU determinou o período entre 2005 e 2015 como Década Internacional da Água pela Vida. No próximo ano, os líderes políticos mundiais devem apresentar um plano de administração dos recursos hídricos do planeta. Em 2015 pretende-se atingir a meta de reduzir à metade (em relação a 2000) o número de pessoas sem acesso a água de boa qualidade, que hoje supera 1 bilhão cerca de um sexto da população global. No Brasil, prefeituras de 19 regiões metropolitanas enfrentam dificuldades de fornecimento.
Mesmo a suposta fartura hídrica do Brasil é relativa. A região Nordeste, com 29% da população, conta com apenas 3% da água, enquanto o Norte, com 7% dos habitantes, tem 68% dos recursos. Até na Amazônia, pela precária infra-estrutura, há pessoas não atendidas pela rede de distribuição. Portanto, a questão muitas vezes não se resume à existência de água, mas às condições de acesso a um bem que deveria ser universal.
Somados os dois problemas, resulta que 40% da população mundial não conta com abastecimento de qualidade. Cinco milhões de crianças morrem por ano de doenças relacionadas a escassez ou contaminação da água. Sujeira é o que não falta: 2 milhões de toneladas de detritos são despejadas em lagos, rios e mares no mundo todo dia, incluindo lixo químico e industrial, dejetos humanos e resíduos de agrotóxicos.
Revisão hidráulica
Para que a sua empresa economize água, a primeira providência sugerida pelo engenheiro Flávio Augusto Scherer é a revisão do sistema hidráulico do prédio. Assim é possível identificar possíveis vazamentos. Segundo o professor Orestes Gonçalves, do Programa de Uso Racional da Água (Pura) da USP, um bom método é separar os hidrômetros de cada ambiente, para determinar com mais clareza onde há desperdício e como enfrentá-lo. O trabalho exige mão-de-obra qualificada. A segunda medida possível é a troca de peças tradicionais por modelos que economizam.
Conheça alguns equipamentos indicados para reduzir o desperdício de água na sua casa e empresa:
Arejador: Rosca interna adicionada à torneira que libera água e ar ao mesmo tempo e torna a vazão constante. Em caso de torneiras de alta pressão, a economia chega a 90%. Custa em média15 reais.
Torneira de fecho automático: Fica aberta por um curto período de tempo, permitindo diminuir o consumo em 20%. Custa cerca de 135 reais.
Torneira de fecho eletrônico: Equipamento regulado por sensor, que economiza o dobro de uma torneira automática. Custa no mínimo 400 reais.
Válvula de descarga automática para mictório: Equipamento instalado em banheiros masculinos, que fecha sozinho. A economia é de 50% em relação a uma descarga convencional. Custa em média 135 reais.
Bacia sanitária acoplada com caixa d'água: Libera apenas seis litros de água por descarga, reduzindo o consumo em 50%. Custa cerca de 110 reais.
Regulador de vazão: Diminui a quantidade de água liberada pelo chuveiro. É recomendado para sistemas com aquecimento central. Economiza 60%. Custa 15 reais.