Desde o primeiro dia de janeiro, quando for ao supermercado, prepare-se para por a mão no bolso duas vezes: uma para pagar a conta dos produtos e outra para comprar as sacolas biodegradáveis para embalá-los. Cada uma custa até R$ 0,22. A venda das sacolas ecologicamente corretas – em substituição das sacolas plásticas tradicionais – teve início em Vitória, mas a campanha será ampliada para a rede supermercadista de todo o Espírito Santo, segundo o Ministério Público Estadual (MP-ES). Essa ampliação, no entanto, ainda não está definida.

Uma opção para o consumidor fugir da cobrança é levar a sua própria sacola retornável ou caixas de papelão. Quem ficar com essa opção, ganha R$ 0,03 de desconto para cada cinco produtos comprados. O benefício vale por seis meses, podendo ser prorrogado pelo supermercado.

“Queremos motivar o consumidor a levar a sua própria embalagem de casa. Mas se ele não levar, teremos disponível a sacola biodegradável, que custará de R$ 0,19 a R$ 0,22, o preço de custo delas. O valor será definido por cada supermercado”, explica o superintendente da Associação Capixaba dos Supermercados (Acaps), Hélio Hoffmann Schneider.

A iniciativa é parte de um termo de compromisso assinado pelo Ministério Público Estadual (MP-ES), o Ministério Público do Trabalho (MPT-ES), a Associação Capixaba dos Supermercados (Acaps), a Associação Comunitária do Espírito Santo (Aces) e associações de moradores.

Os supermercados, no entanto, não são obrigados a cobrar pelas sacolas, segundo Schneider. “O dono do estabelecimento pode fornecer a sacola de graça, mas seria um prejuízo, pois o custo dela é mais elevado do que o da sacola comum”, diz. As sacolas não ecológicas custam R$0,03.

Especialistas cobram consciência ambiental A substituição das sacolas tradicionais usadas nos supermercados pelas biodegradáveis divide opiniões. Muitos são a favor da troca, principalmente pela diferença de tempo que cada uma leva para se decompor – uma demora dias, e a outra, que é usada atualmente, demora séculos.

“Qualquer coisa que reduz o nível de resíduos sólidos no meio ambiente é válido”, diz o professor de biologia Eduardo Santana. Já para o diretor de projeto do Instituto Guaiamum, Iberê Sassi, a substituição das sacolas não acaba com o problema ambiental.  “O grande problema dela é o descarte inadequado, que acaba poluindo. O ideal é que nenhuma embalagem seja descartada, mas, reciclada. A coleta seletiva resolve 70% do problema, e o resto depende da educação das pessoas”.

O ambientalista Eduardo Pignaton acredita que, como a sacola será vendida e não doada, a população vai levar a sua própria embalagem para o supermercado. “As famílias vão querer economizar”.

Ajuda para o meio ambiente

O Ministério Público Estadual (MP-ES) acredita que iniciou um movimento para criar um modelo sustentável de gestão dos resíduos gerados a partir das atividades dos supermercados no Espírito Santo. O projeto aplica as regras do consumo consciente, por meio da campanha para substituição das sacolas plásticas.

Fonte: Floresta do ES